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Em Portugal, os miúdos que vivem na cidade são mais fracos do que os da aldeia

Estudos revelam que jovens de meios rurais destacam-se em fatores como abdominais, salto, corrida e aptidão cardiorrespiratória.

O ego de alguns vai ficar ferido, mas a ciência não deixa margem para dúvidas: os miúdos que crescem em meios ruram apresentam, em média, melhores resultados em vários testes de desempenho muscular e capacidade física. Afinal, há uma relação entre o local onde vivem, a forma como ocupam o tempo e o desenvolvimento destas capacidades.

“Os mais pequenos são estimulados de forma muscular diferente”, explica à NiT o médico de clínica geral António Hipólito de Aguiar. Grande parte da diferença surge graças às próprias rotinas.

Nas aldeias e em zonas rurais, brincar na rua continua a fazer parte do dia a dia de muitos miúdos, com atividades que obrigam o corpo a correr, saltar, subir e carregar o próprio peso. Trepar árvores ou muros, jogar às escondidas e às apanhadas são exemplos de brincadeiras que parecem simples, mas que representam grandes estímulos físicos.

“Tudo o que são atividades ao ar livre ajudam, e é isso que acontece muito nos meios rurais”, acrescenta o especialista.

A diferença não está apenas na quantidade de exercício praticado de forma intencional. O próprio ambiente pode levar a que se mexam mais ao longo do dia. Andar a pé ou deslocar-se para a escola sem estar dependente de transportes são comportamentos que contribuem para aumentar a atividade física espontânea. “Isso acontece muito mais no meio rural”, garante António Hipólito de Aguiar.

A menor exposição a ecrãs também pode ter influência. Nas cidades, os períodos passados em frente à televisão, ao computador, ao telemóvel ou à consola podem ocupar parte do tempo que antes seria dedicado a brincadeiras no exterior. “Muitas vezes perdem o entusiasmo para irem para a rua brincar”.

Há ainda uma diferença relacionada com o ambiente familiar e económico. O médico aponta que, em algumas zonas rurais, existe menor disponibilidade de meios eletrónicos devido a menores rendimentos. Embora reconheça que estas diferenças económicas têm vindo a diminuir ao longo dos anos.

Ao mesmo tempo, os jovens das cidades podem ter maior acesso a instalações desportivas, mas isso não significa que pratiquem mais exercício no quotidiano. A oferta até pode ser menor nas aldeias, porém, os pais sentem-se mais confortáveis em deixar os filhos brincar na rua, visto que haverá em teoria menos perigos para a saúde. 

Os dados de alguns estudos ajudam a perceber estas diferenças. Uma investigação realizada em Espanha comparou comunidades urbanas e rurais com características semelhantes, num estudo com mais de 2.500 participantes. Os resultados apontaram para melhores desempenhos dos jovens rurais em vários parâmetros físicos.

“Os jovens rurais, em média, têm melhor preensão manual, maior suspensão com os braços fletidos, mais abdominais, melhor salto, corrida, velocidade e aptidão cardiorrespiratória”, refere Hipólito de Aguiar. “Têm mais desempenho atlético e melhor capacidade muscular”.

O especialista aponta ainda uma maior tendência para o consumo de alimentos ultraprocessados e fast food entre os miúdos das cidades. “Também há uma maior frequência”, destaca.

A alimentação junta-se, assim, ao sedentarismo e à menor atividade física espontânea como um dos fatores que podem contribuir para diferenças na composição corporal. Contornar este problema cabe, em grande parte, aos adultos.

“O ponto prioritário é haver um estímulo da parte dos pais para fazerem desporto”. 

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