Uma mulher sem recordações do passado gere um café numa pequena ilha da Noruega. Tem uma relação estável, prepara-se para casar e parece ter reconstruído a vida. Tudo muda quando um desconhecido entra no espaço e a trata por outro nome. É este o ponto de partida de “A Mulher Secreta”, o thriller dinamarquês que está a conquistar os espectadores portugueses.
O filme estreou na Netflix a 28 de agosto e surge agora no quarto lugar do top dos filmes mais vistos da plataforma em Portugal atualmente.
Louise Andersen (Natalie Madueño) vive na ilha norueguesa de Hidra com Joachim (Pål Sverre Hagen), um escritor de policiais. Não se lembra de nada do que aconteceu antes de ter sido encontrada num navio de carga com um documento de identificação na carteira. Durante dois anos, aceita as lacunas na memória e constrói uma nova vida. Até que Edmund (Claes Bang), um turista dinamarquês, garante que ela é Helene Söderberg, uma mulher desaparecida há três anos.
Abalada pelo encontro, Louise faz um teste de ADN. Os resultados confirmam que Edmund dizia a verdade: chama-se Helene, é casada, tem um filho e pertence a uma família dona de um império marítimo na Dinamarca.
“A descoberta leva-a a abandonar a segurança que encontrou na Noruega e a regressar à casa onde vivia antes do desaparecimento”, revela a sinopse. O cenário parece perfeito, mas Helene não reconhece o marido, o filho ou os corredores da propriedade. Também não consegue perceber por que razão fugiu daquela vida.
Enquanto percorre as divisões e toca em objetos do passado, começa a recuperar fragmentos de memória. Joachim, que fica na Noruega, tenta descobrir à distância quem é Edmund e o que aconteceu nos dias que antecederam o desaparecimento. O mistério cresce à medida que Helene percebe que a riqueza da família esconde segredos e que algumas das pessoas que a rodeiam podem ter motivos para impedir o regresso das suas memórias.
“A Mulher Secreta” é uma adaptação do livro homónimo publicado em 2017 por Anna Ekberg, pseudónimo usado pelos escritores dinamarqueses Anders Rønnow Klarlund e Jacob Weinreich. A dupla é conhecida por histórias que cruzam crimes, relações familiares e suspense psicológico.
A realização pertence a Barbara Topsøe-Rothenborg, que já tinha trabalhado com a Netflix em “Adultos Apaixonados”, outro thriller dinamarquês sobre um casamento marcado por mentiras e violência. Além de Natalie Madueño, Pål Sverre Hagen e Claes Bang, o elenco inclui Stina Ekblad, Ingrid Bolsø Berdal e Lars Simonsen.
O sucesso entre os subscritores não está a ser acompanhado pelo mesmo entusiasmo da crítica. No Rotten Tomatoes, o filme tem uma classificação de 40 por cento, baseada em dez críticas. Entre o público, a pontuação é de 47 por cento.
O “The Guardian” considera Madueño “uma protagonista pela qual é fácil sentir empatia” e elogia a forma como Bang “usa uma postura suave para esconder uma raiva extrema”. Ainda assim, critica uma história com revelações demasiado convenientes e personagens pouco exploradas. Para o jornal britânico, a mistura de drama, ambiente gótico e noir nórdico não consegue disfarçar as falhas do argumento. O vilão também é revelado demasiado cedo, o que retira tensão psicológica aos confrontos.
O site RogerEbert descreve o filme como “um pouco morno até aos últimos dez minutos” e considera que “a resolução parece incompleta”. A publicação reconhece que o mistério é suficiente para manter a curiosidade durante boa parte da história, mas critica a forma apressada como alguns temas são apresentados. Destaca ainda a protagonista, cuja determinação contrasta com personagens masculinas descritas como pouco desenvolvidas.
As avaliações podem não ser entusiasmantes, mas não estão a afastar o público português.
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