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Queria vender cookies em Faro. 3 anos depois, tem um Solete Repsol e turistas à porta

A Bakie nasceu de uma mudança inesperada na vida de Andreia e tornou-se uma referência para quem procura doces em Faro.

Quando a Bakie surgiu em Faro, o conceito de uma casa dedicada apenas a cookies ainda não existia na cidade. No entanto, a aposta mostrou que havia espaço para este modelo de negócio. Entre desafios, receitas aperfeiçoadas e criações próprias, Andreia Santos, de 40 anos, fez do projeto o seu cantinho. Localizado na Rua General Teófilo da Trindade, em Faro, a ideia nasceu de uma mudança inesperada na vida da empresária e acabou por se transformar num negócio familiar.

Natural do interior do estado de São Paulo, no Brasil, Andreia vive há 22 anos em Portugal e antes de se dedicar às bolachas, já tinha passado pelo mundo dos negócios. Em 2009, abriu uma loja de roupa em Faro, que manteve até 2012. Na altura, vender online ainda estava longe de ser tão comum como atualmente. Andreia recorda que usava uma rede social para chegar aos clientes. “Já vendia bastante através do Orkut”, conta.

A Bakie nasce da vontade de Andreia ter um projeto próprio. Desta vez, a ideia surgiu num contexto diferente, quando trabalhava numa empresa de administração de propriedades. Um problema de saúde obrigou-a a parar e a ficar em casa durante um período de recuperação. “O projeto nasceu de uma dor”, afirma Andreia em tom de brincadeira. 

Sem poder conduzir entre Faro e Vilamoura, onde trabalhava, viu-se obrigada a abrandar e começou a pensar no que poderia fazer por conta própria. Foi durante esse período que surgiu a ideia de vender bolachas. Na altura, percebeu que havia poucas lojas semelhantes no Algarve e que, em Faro, não existia nenhuma. A oportunidade pareceu-lhe evidente.

“Fomos os primeiros a abrir em Faro”, nota. A pastelaria, contudo, não fazia parte da sua formação profissional. Andreia nunca tinha trabalhado na área e admite, com humor, que nem sequer era uma pessoa particularmente fã de cozinha. Ainda assim, quando começou com os primeiros testes, apercebeu-se que talvez tivesse encontrado algo. Fez um curso online antes da abertura e foi aperfeiçoando as receitas em casa, com a ajuda da mãe, Marisa.

Receita “lapidada” em família

Marisa sempre gostou de fazer doces e, ao longo dos anos, tinha o costume de preparar bolos para amigos e conhecidos, desenvolvendo uma experiência que viria a ser importante na construção da Bakie. Foi assim que encontrou um equilíbrio entre a doçura típica de algumas receitas brasileiras e o que agradava ao público português. “A cultura brasileira é diferente da portuguesa. Gostamos de coisas mais doces, com leite condensado”, explica, entre risos.

A solução passou por ir reduzindo e ajustando o açúcar, até chegar a uma receita que continuasse a ser doce, mas não em excesso. “Fomos lapidando as receitas”. A influência familiar não ficou apenas pela adaptação do nível de açúcar. O padrasto de Andreia também tinha experiência na área da restauração, como cozinheiro no Hotel Eva durante mais de 40 anos. O conhecimento acumulado pela família acabou por entrar naturalmente no projeto.

Hoje, Marisa continua a trabalhar ao lado da filha e ajuda na produção. Uma colaboração que originou até a bolacha que Andreia descreve como um das mais icónicas da Bakie. A cookie de lima com frutos vermelhos foi um doce criado e desenvolvido por Andreia, em conjunto com a mãe. A combinação procura aquilo que a Bakie pretende oferecer: um doce intenso, mas equilibrado e fresco. “É um dos mais vendidos, as pessoas amam porque é bem fresco”, conta Andreia.

Da primeira receita à primeira loja

Antes de abrir portas, Andreia visitou outras lojas de cookies em Portugal, sobretudo em Lisboa, para perceber como funcionava o negócio e comparar o conceito com o que estava a desenvolver. A conclusão deu-lhe confiança: as suas receitas tinham qualidade para avançar. Sem pensar duas vezes, abriu a Bakie a 5 de junho de 2023. A decisão foi, em parte, uma questão de oportunidade. Para Andreia, esperar demasiado poderia significar deixar que outra pessoa ocupasse aquele espaço no mercado. “Quando vamos abrir algo pela primeira vez, não podemos demorar muito porque, se não fizermos, parece alguém e faz” afirma.

A receção foi gradual, mas positiva. As pessoas começaram a experimentar, a recomendar e a regressar. O crescimento também coincidiu com uma altura em que as cookies de estilo americano estavam a ganhar visibilidade nas redes sociais, impulsionadas pelo sucesso de marcas como a norte-americana Crumbl.

O fenómeno ajudou a despertar a curiosidade de consumidores, que procuravam este tipo de produto e acabavam por encontrar a Bakie em Faro. Três anos depois, Andreia diz ter clientes que acompanham a casa desde o início. Alguns regressam regularmente e há até quem mantenha a tradição de celebrar os aniversários com o Bakie Birthday Cookie.

 
 
 
 
 
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O clássico continua a ser o favorito

Para quem entra na Bakie pela primeira vez, Andreia recomenda começar pelo mais simples: Chocolate Chips (2,80€). É o clássico da casa e também a cookie que mais vende. A escolha não é por acaso. Para alguém que nunca experimentou os produtos da Bakie, a empresária entende que começar pelo sabor mais tradicional permite conhecer a base do que fazem.

Depois, há espaço para combinações mais originais. A cookie de lima com frutos vermelhos (3€) é uma das criações da casa. O BAKE Duo (4,80€) junta o cookie clássico de Chocolate Chips a um brownie de textura intensa e tipo fudge. A combinação conquistou rapidamente os clientes e já tem os seus próprios fãs. E há ainda o Frookie (a partir de 4,90€) , uma das novidades da BAKE: um sanduíche de cookie com gelado no interior, envolvido em chocolate.

Mas existe outro produto que ganhou uma notoriedade inesperada: o Croissant com Cookie (4,50€). A ideia surgiu depois de uma pastelaria francesa apresentar uma combinação semelhante. Os clientes começaram a pedir que a Bakie fizesse a sua versão e o que deveria ser uma edição limitada acabou por permanecer no menu.

O produto tornou-se popular entre turistas e estrangeiros que descobrem a Bakie através das redes sociais. “Temos clientes de Inglaterra, Alemanha e Irlanda”, conta Andreia. Segundo a proprietária, alguns chegam mesmo a incluir a Bakie no percurso turístico por Faro depois de encontrarem vídeos do espaço no TikTok.

Um vídeo publicado por uma cliente estrangeira terá tido particular alcance fora de Portugal, contribuindo para tornar o croissant conhecido além-fronteiras. “Colocam no roteiro a Bakie justamente para vir provar o croissant”, conta.

O sucesso da Bakie não passou despercebido, tendo rendido a Andreia o Prémio Solete Repsol do guia Repsol, em 2026, prémios que se dedicam a destacar “os bons estabelecimentos que estão no quotidiano dos seus clientes”.

 
 
 
 
 
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A história da Bakie também passa por experiências fora da loja de Faro. O negócio esteve presente sazonalmente no Forum Algarve, onde ocupou um quiosque durante diferentes períodos. No verão de 2025, esteve no centro comercial até outubro e regressou para o Mercadinho de Natal.

Voltou novamente em janeiro, mas acabou por sair a meio do período, entre outras razões, pela dificuldade em encontrar colaboradores. Este verão, a Bakie voltou ao Fórum Algarve durante três meses, entre junho e agosto. Após esse período, decidiu abrandar. Agora, o objetivo passa por consolidar o negócio original antes de voltar a pensar numa expansão.

“Vou desacelerar para poder estabilizar a Bakie”, diz com leve sorriso. A paragem no quiosque não significa, contudo, um adeus ao Fórum Algarve. A Bakie foi novamente convidada para o Mercadinho de Natal e deverá regressar ao espaço nessa altura. A longo prazo, Andreia mantém a vontade de crescer. mas quer fazê-lo de forma diferente, com mais estrutura e menos pressa. O plano passa por continuar a crescer no Algarve e, eventualmente, abrir mais lojas na região.

Carregue para ver algumas fotos do espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Gen. Teofilo da Trindade 10,
    8000-356  Faro
  • HORÁRIO
  • De Segunda-Feira a Sexta-Feira do 12h ás 19h
  • Sábado das 11h ás 18h
  • Encerra aos Domingos
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Pastelaria

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