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Neste restaurante algarvio, o vocalista dos Deep Purple já é da casa

O projeto de Kelly Salgado e João Fernandes está a atrair atenções em Santa Bárbara de Nexe, em especial pelas tábuas de carne.

Há três anos, Kelly Salgado e João Fernandes decidiram transformar um antigo restaurante português num espaço com uma identidade própria. O projeto começou do outro lado da rua, até que se mudaram para ocupar as antigas instalações do restaurante Lagoas, sempre com o mesmo objetivo: criar em Santa Bárbara de Nexe um espaço onde a comida, os cocktails e a relação com os clientes tenham significado.

O Mahalo abriu em junho de 2023, numa casa conhecida como Canga. A ideia inicial era instalar o restaurante no espaço onde está atualmente, mas a oportunidade não surgiu nessa altura. Um ano depois, em junho de 2024, o casal mudou-se para as antigas Lagoas, a poucos metros da primeira morada, duplicando a lotação e ganhando uma sala com mais luz e uma vista sobre a paisagem algarvia.

Para Kelly Salgado, de 33 anos, a localização tem um significado especial. Natural de Santa Bárbara de Nexe, mantém as raízes familiares na aldeia e queria que o negócio do casal nascesse no lugar onde escolheu viver. “Sou de Santa Bárbara e a minha família tem as raízes aqui. Gostávamos muito de poder ter o nosso negócio onde gostamos de viver”, confessa.

João Fernandes, também com 33 anos, é natural da Fuseta e vem de uma família ligada à pesca. Essa origem ajuda a explicar uma carta que procura juntar as duas vertentes do casal: as raízes serranas de Kelly e a ligação de João ao mar.

Origens do nome e a relação próxima com a comunidade

Já o nome Mahalo, que significa gratidão em havaiano, não nasceu de uma intenção de transformar o restaurante num espaço de inspiração havaiana. “Optámos por esse nome não pelo conceito, mas porque tínhamos uma palmeira à entrada do restaurante”, explica João. Mas havia outra necessidade: começar de novo.

O espaço onde funcionava a Canga tinha uma avaliação pouco favorável e alguns clientes continuavam a associá-lo ao antigo restaurante. A mudança de nome serviu para marcar uma nova etapa. O conceito foi construído em torno de uma cozinha portuguesa, de bons cocktails e um serviço próximo, sem formalismos excessivos.

A relação com os moradores da aldeia acabou por ganhar um peso que surpreendeu o casal quando abriu o negócio. “É um sítio onde se pode provar boa comida, com um bom serviço, bons cocktails, mas com simplicidade e um serviço intimista”, resume João.

Essa proximidade manifesta-se em detalhes pouco habituais na restauração. Os clientes habituais são tratados pelo nomes, por já serem conhecidos pela equipa, e a relação chegou ao ponto de alguns terem sido convidados para o baby shower do casal. Kelly, no último mês de gestação, relata esta proximidade com os clientes com um sorriso: “Era isso que procurávamos”.

Entre os clientes habituais está Ian Gillan, vocalista da banda rock Deep Purple. Segundo João, o músico já é presença habitual, liga diretamente para o número pessoal do casal para fazer reservas e conhece o nome de vários elementos da equipa.

 
 
 
 
 
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Carne, peixe e pratos para partilhar

A carta mantém uma ligação clara à cozinha portuguesa. Há carnes grelhadas, pratos de tacho, como as bochechas de porco (16,50€), mas também peixe fresco e marisco. A intenção é conjugar os produtos de terra com os do mar, mantendo a tradição da culinária portuguesa.

Apesar da aposta no peixe e no marisco, são as tábuas de carne (40€) que assumem maior destaque entre os pedidos dos clientes. Nas entradas, o queijo Chevre em massa filo (9€) está entre os preferidos. Há ainda a delícia de queijo crocante (7€), feita com queijo coalho em tempura de cerveja e servida com sweet chili, e o camarão tempura (11,50€). “Apesar de tentarmos insistir no peixe e marisco, as nossas tábuas de carne são o foco principal”, explica João.

Para quem chega pela primeira vez, a sugestão do proprietário passa por escolher três entradas e dividir uma vazia (23,50€) com um boa companhia. A refeição pode ser acompanhada por uma sangria de maracujá, uma piña colada ou outro dos vários cocktails da carta.

“Estamos enquadrados numa simplicidade, mas como cozinhamos com amor e apresentamos o tipo de produto que usamos, tudo isso torna a experiência especial”, afirma João.

Aposta num rooftop rural

A mudança para as antigas Lagoas permitiu ao Mahalo ganhar uma área exterior com potencial para um novo projeto. O casal pretende criar o primeiro rooftop rural da região. “Vai ser o próximo grande upgrade da casa”, afirma João.

A localização é uma das razões para o investimento. Santa Bárbara de Nexe está numa zona elevada, entre o litoral e a serra, e o restaurante permite observar o mar e a montanha. Para o casal, a tranquilidade da aldeia é uma parte importante da identidade do negócio. A expansão não fica, contudo, pelo Mahalo.

João e Kelly assumiram a exploração do bar de rock Sonner or Later, uma das grandes atrações de Santa Bárbara de Nexe. O plano é dar ao espaço um toque mais pessoal, com a abertura está prevista para a segunda quinzena de setembro. O novo projeto terá uma identidade própria, inspirada num Irish pub e a carta será mais informal, com propostas como pulled pork, tapas e outros pratos de partilha.

Por enquanto, a prioridade continua a ser o restaurante. O casal quer manter o conceito que construiu desde 2023, introduzindo alguns pratos novos, sem retirar os clássicos da carta. “Equipa que ganha não se mexe”, diz João com um sorriso, explicando a estratégia para o futuro do Mahalo.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos servidos no restaurante.

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