“Não queríamos ficar com o conceito que existia, mas com algo diferente”, explica Lúcia Macário, de 55 anos, que juntamente com o marido Paulo Macário, de 61 anos, e a filha Christelle, de 29, assumem a gerência do espaço.
Ainda assim, a mudança não significa apagar o passado, pelo contrário. A família tem uma ligação antiga à aldeia. Paulo é natural da Santa Bárbara de Nexe, onde passou grande parte da sua vida. Lúcia, natural de Montalegre, também conhece bem a localidade. O casal já tinha tido dois cafés em Santa Bárbara, mas a família durante alguns anos na vila Hyères-les-Palmiers, em França, onde chegaram a abrir uma pizzaria.
Christelle, a filha mais nova do casal, nasceu em Paris, mas cresceu entre Portugal e França. Estudou restauração no sul de França, junto a Toulon. Hoje, está de volta à aldeia que viu nascer o seu pai e divide-se entre o serviço às mesas e a gerência do café, lado a lado com os pais. “Estamos super ligados uns aos outros e trabalhamos mesmo como uma família”, conta. Além da família, a equipa conta com mais um membro: o chef Luis Cristina. Responsável pela cozinha, o chef já faz parte da casa, sendo quase um membro honorário da família Macário.

Um novo conceito para uma aldeia em mudança
A renovação do Café Central acontece num momento em que Santa Bárbara de Nexe atravessa também a sua própria transformação. A pequena aldeia tem vindo a atrair cada vez mais residentes estrangeiros e essa mudança sente-se no movimento do café. “Está a crescer imenso e é bom para todos em Santa Bárbara”, afirma Lúcia.
A maioria dos clientes do Café Central são estrangeiros, com os britânicos a assumirem particular destaque. Há também franceses, suíços, espanhóis, americanos e irlandeses entre a clientela habitual. Para a família, esta diversidade não é encarada como uma dificuldade, mas como uma oportunidade para criar uma carta capaz de responder a diferentes hábitos e expectativas.
Os pratos tradicionais portugueses, como bochechas de porco (13,50€) e bacalhau à Brás (12,50€) convivem com propostas como o english breakfast (13,50€) e os ovos benedict(9,50€), que têm conquistado especialmente o público de outras nacionalidades.
“Os estrangeiros gostam muito do nosso conceito”, explica Christelle. “No entanto, também fazemos pequenos-almoços portugueses, com as torradas tradicionais, e tostas”, diz Christelle.
A carta procura, assim, encontrar um ponto de equilíbrio entre o que os visitantes procuram quando chegam ao Algarve e os sabores que fazem parte da identidade gastronómica portuguesa.
Da bifana ao arroz de polvo
À mesa, há espaço para uma oferta variada. As bifanas compostas (6,50€) estão entre as escolhas mais procuradas, mas há também prego, arroz de polvo (14,50), salada de polvo (13€), salada Caesar (12,50€) e salada de quinoa (10€), esta última como opção vegetariana.
O ensopado de borrego (15€) é outro dos pratos que tem conquistado os clientes estrangeiros. “Quando olham para a carta dizem ‘uau’ e é um prato que pedem bastante”, conta Lúcia.
A aposta passa também pela qualidade da matéria-prima. A família garante que trabalha com produtos frescos e carnes selecionadas, procurando que essa preocupação se reflita no resultado final. E há ainda espaço para uma pequena viagem de regresso a França, com o crème brûlée como uma das poucas referências francesas que trouxeram para a carta das sobremesas. Na carta do Café Central, há uma aposta que muda diariamente: o bolo caseiro.
A ideia é simples: todos os dias há um bolo diferente, feito pela equipa para acompanhar o café, o pequeno-almoço ou simplesmente para uma pausa durante o dia. É um detalhe que ajuda a reforçar o lado mais próximo e familiar do espaço, numa casa que quer manter os clientes habituais por perto, enquanto continua a conquistar novos rostos.
Essa relação parece já estar a acontecer. Segundo a família, muitos dos clientes estrangeiros regressam várias vezes e acabam por recomendar o Café Central a familiares e amigos que visitam Santa Bárbara. “Eles vêm uma vez, duas, três e recomendam-nos, o que é muito bom”, conta Lúcia.
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Uma casa aberta à aldeia
Apesar da renovação e da nova imagem, o Café Central continua a querer ser um ponto de encontro para quem vive em Santa Bárbara, independentemente da sua origem. A família reconhece que a realidade demográfica da aldeia está a mudar e que existe hoje uma forte presença estrangeira, mas faz questão de manter na carta os sabores e hábitos que fazem parte da comunidade portuguesa.
Essa mistura parece ser, afinal, uma das características mais interessantes do novo Café Central: um espaço com raízes locais, mas aberto a uma comunidade que está cada vez mais internacional.
Para o futuro, a intenção é continuar a experimentar e surpreender. A chegada do inverno deverá trazer algumas alterações à carta, com novos pratos e adaptações sazonais. “Queremos apostar em novidades, para surpreender e continuar a evoluir”, resume Christelle.
A família quer evitar que o Café Central fique parado no tempo. A ideia é continuar a despertar a curiosidade de quem ainda não conhece o espaço, sem perder quem já faz parte da casa. Entre os clientes que chegam pela primeira vez e os habitantes de Santa Bárbara que continuam a entrar pela porta, o Café Central começa agora uma nova história com o mesmo nome, mas uma nova vida.
Carregue na galeria para ver alguns dos pratos do Café Central.








